Amália ganha “ferramentas de agentificação” até final do ano

Modelo de inteligência artificial (IA) patrocinado pelo Estado português entra oficialmente na "segunda fase de desenvolvimento" com 1,8 milhões de euros do PRR.

A“segunda fase de desenvolvimento” do Amália foi oficializada esta terça-feira, com a alocação ao projeto de uma verba adicional de 1,8 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com retroativos a 1 de julho. O novo financiamento eleva o custo total do Amália para 7,3 milhões de euros no final da execução.

Até ao final do ano, o Governo pretende que o modelo de inteligência artificial (IA) patrocinado pelo Estado português continue a ser treinado para permitir novas “ferramentas de agentificação” e “soluções passíveis de serem integradas em processos internos da Administração Pública”. Adicionalmente, está previsto o “treino e aperfeiçoamento do modelo nos casos de uso da Imagem e Fala”.

A decisão de estender o projeto do Amália já tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro em julho, quando apresentou a primeira versão finalizada do Amália, depois de mais de um ano em desenvolvimento. “Estamos dependentes [de tecnologia estrangeira], não há como dizer de outra maneira. E hoje estamos a dar um pequeno passo, sei que é um pequeno passo”, afirmou Luís Montenegro na altura.

A 9 de setembro, o Governo aprovou esse investimento adicional, anunciando como principal objetivo que “o Amália deixe de ser apenas um protótipo  e  passe a estar  integrado no atendimento dos cidadãos, apoiando o acesso a serviços do Estado”. A Resolução do Conselho de Ministros foi publicada esta terça-feira no Diário da República.

Além do investimento, dos “objetivos estratégicos” e do “resultados a alcançar”, o diploma estabelece o “modelo de governação” desta nova fase do Amália. Este passará por estruturas como a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que vai dar lugar à recém-criada entidade AI2 após fusão com a Agência Nacional de Inovação (ANI).

O diploma publicado esta terça-feira vai também prolongar até 31 de dezembro de 2029 o mandato do Comité de Acompanhamento Especializado, que é “responsável por formular recomendações sobre as melhores práticas de desenvolvimento de modelos de linguagem de grande escala e o cumprimento dos princípios éticos e de segurança, bem como aconselhar potenciais aplicações do modelo Amália nos diversos setores de atividade”.

Atualmente, o comité é presidido por Arlindo Oliveira, presidente do INESC, e inclui Goretti Marreiros, presidente da Associação Portuguesa para Inteligência Artificial, Daniela Braga, fundadora da Defined.ai, em representação do consórcio Accelerat.ai, e Paulo Dimas, em representação do Center for Responsible AI. A Resolução prevê que esta composição pode ser “alargada por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da reforma do Estado e da ciência e inovação”.

Fonte: Eco