Euribor disparam com guerra no Irão e vão agravar prestação da casa
Com mercados a anteciparem subidas dos juros do BCE, bancos estão a agravar o preço do dinheiro a que emprestam entre si. E isso irá provocar uma subida da prestação da casa já em abril.
O choque petrolífero decorrente da guerra no Irão está a ameaçar provocar uma nova escalada da inflação. Por conta disso, os mercados já estão a antecipar subidas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu (BCE). Com as Euribor a evoluírem também nesse sentido, as famílias vão sofrer um agravamento da prestação da casa já a partir do próximo mês.
O mês de março ainda nem vai a meio, mas a evolução das taxas interbancárias deixa antecipar uma subida dos encargos com o crédito à habitação. Esta terça-feira a Euribor a 12 meses registou o maior salto em 18 anos. Nos prazos a três e seis meses, as taxas tiveram o maior crescimento desde março de 2023, quando os mercados foram sacudidos com a falência do Silicon Valley Bank.
Agora é a guerra no Irão que está a ameaçar ir aos bolsos das famílias portuguesas que se encontram a pagar o crédito da casa ao banco. Tudo depende da duração do conflito e da persistência da cotação do petróleo em níveis elevados. As declarações de Donald Trump de que a intervenção americana está prestes a acabar ajudou a aliviar os preços do barril, mas a incerteza permanece elevada, com Teerão a dizer que não é o Presidente americano a ditar quando termina a guerra.
Ainda estamos longe da escalada dos juros que se observou entre 2022 e 2024. Porém, quando se esperava uma estabilização das taxas de juro ao longo deste ano, os mercados apontam agora para duas subidas de 25 pontos base por parte do BCE para fazer face a riscos de subidas dos preços devido ao impacto do aumento do preço do petróleo. O barril negoceia agora nos 80 dólares, depois de ter escalado para mais de 100 dólares.
Em consequência, as Euribor, calculadas pelos bancos nos empréstimos que fazem entre si e que servem de base para o cálculo da prestação mensal da casa em contratos com taxa variável, já avançaram para máximos de praticamente um ano desde o início do conflito.
Euribor escalam para máximos de um ano
Assim, os contratos de empréstimo à habitação cujas condições vão ser revistas no próximo mês vão já sofrer o impacto do aumento das tensões geopolíticas.
Para um crédito de 150 mil euros a 30 anos e com um spread de 1%, as contas para março são as seguintes:
- Euribor a três meses: a prestação a pagar nos próximos três meses subirá mais de um euro (0,16%) para mais de 637 euros;
- Euribor a seis meses: a prestação que vai pagar nos próximos seis meses deverá superar os 645, uma subida de quase cinco euros em relação à prestação que pagava desde outubro;
- Euribor a 12 meses: a prestação que vai pagar nos próximos 12 meses chegará a perto de 660 euros, mais 5,5 euros face à prestação que pagou no último ano.
Fonte: Eco
Foto: Getty Images